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16 março 2009

GRAN TORINO



Em Gran Torino Clint Eastwood é Walt Kowalski, um veterano da Guerra da Coreia, homem duro, amargo, desconfiado que acabou de perder a mulher. O bairro onde vive é-lhe cada vez mais estranho dada a multiculturalidade dos actuais vizinhos que ele olha com desconfiança e hostilidade.São também estes os sentimentos que existem no interior da sua própria família e que faz com que os seus filhos e netos se afastem, contribuindo para um maior isolamento de Walt, apenas contrariado pela companhia da fiel cadela Daisy.

Um acontecimento transforma por completo a vida rotineira de Walt quando o jovem Thao, seu vizinho, incitado por um gang local, lhe tenta roubar o seu Ford Gran Torino de 1972 e é apanhado em flagrante. Dada a vergonha que Thao trouxe à sua família, este é forçado a trabalhar para Walt de forma a poder redimir-se.

É o início de uma amizade inesperada, em que Sue, a irmã de Thao, desempenha um importante papel, e que mudará a vida de todos. Com o tempo, estreitam-se os laços entre Walt e Thao (ou Toad como Walt "carinhosamente" o trata), fazendo com que o preconceito inicial de Walt se esbata gradualmente. Thao encontra em Walt a figura paternal que falta na sua vida, enquanto que Walt tenta compensar, através do jovem, a culpa que carrega pela barreira que colocou entre si próprio e a sua família.

Este é um filme sobre a amizade, o arrependimento e a redenção. O desempenho de Clint Eastwood excede todas as expectativas, revelando uma vez mais a sua mestria como actor e realizador. E até nos brinda com uma cantiguinha no final...

MILK



Milk é um filme que revelou, uma vez mais, a extraordinária capacidade de transformação de que Sean Penn é capaz. Mereceu, sem qualquer sombra de dúvida, o Oscar para melhor actor principal.

Embora o filme pudesse facilmente cair na tradicional narrativa americana do indivíduo colocado ao serviço de uma comunidade, Gus Van Sant consegue fugir a esse conceito mainstream.

Não obstante o mérito que Harvey Milk ganhou por ter sido o primeiro gay assumido a ser eleito para um cargo na administração pública nos Estados Unidos dos anos 70, em detrimento da sua vida pessoal e até à custa da sua própria vida, o realizador não deixa de mostrar os bastidores sórdidos da política e dos seus jogos de poder. Aqui é forçoso que se recorram a lobbies para se conseguir o que se quer, não escapando Milk a esta poderosa Máquina, ou não fosse ele um homem muito consciente do poder das palavras, do seu timing, da mobilização das massas e da força inquestionável dos media.

Contudo, o facto de Harvey Milk se ter constituído como o representante de uma comunidade incompreendida e perseguida, que precisava desesperadamente de um líder, contribuiu certamente para a conquista de direitos que lhe eram devidos e do respeito da sociedade que também ajudaram a construir.

O filme põe o público à prova e retira completamente o tapete dos estereótipos confortáveis, mas (in)conscientemente arrogantes, em que muitas vezes nos refugiamos. Apela sobretudo à tolerância, ao respeito pelos outros e pela diferença.