15 outubro 2006

Sin tú no estás

Esta é daquelas canções que esteja com que disposição estiver, me fazem chorar copiosamente. Chama-se Si tú no estás e é da cantora Rosana, nascida em 1963 em Lanzarote, Ilhas Canárias.

No quiero estar sin ti
Si tú no estás aquí me sobra el aire
No quiero estar así
Si tú no estás la gente se hace nadie

Si tú no estás aquí no sé
Que diablos hago amándote
Si tú no estás aquí sabrás
Que Dios no va a entender por qué te vas

No quiero estar sin ti
Si tú no estás aquí me falta el sueño
No quiero andar así
Latiendo un corazón de amor sin dueño

Si tú no estás aquí no sé...

Derramaré mis sueños si algún día no te tengo
Lo más grande se hará lo más pequeño
Pasearé en un cielo sin estrellas esta vez
Tratando de entender quién hizo un infierno el paraíso
No te vayas nunca porque

No puedo estar sin ti
Si tú no estás aquí me quema el aire

Si tú no estás aquí no sé...

Si tú no estás aquí

Album: Lunas Rotas, 1996
Rosana Arbelo

O regresso

Eis-me após uns tempos de afastamento. As férias já parecem tão distantes. Partilho aqui alguns instantâneos dessa velha e bela Irlanda.

O' Briens's Tower, Cliffs of Moher, Co. Clare

Cliffs of Moher, Co. Clare

Around Glendaloch, Co. Wicklow

Dublin

Leamanagh Castle, Co. Clare

14 agosto 2006

Em contagem decrescente

O cheririnho a férias já se sente. Estou ansiosa por entrar no maravilhoso mundo onde não há horários, responsabilidades e onde podemos fazer o que nos apetece.
Para fechar as férias em beleza, vou dar um pulinho à Ilha Esmeralda.

Espectáaaaaaaaaaaaaaaculo!!!!!!!!!!!!!!!!



13 agosto 2006

Eu, tu e todos os que conhecemos


Felizmente ainda fui a tempo de ver, antes que saísse de cartaz, Eu, tu e todos os que conhecemos a primeira longa metragem da realizadora Miranda July. Além de alguns comentários e críticas que tinha lido e que me despertaram a curiosidade, nada fazia supor que me surpreenderia tanto. Filmado de forma simples, aborda questões do dia-a-dia, aparentemente banais, sem qualquer tipo de presunção. A dificuldade de comunicação, a solidão, o desejo e o medo de amar e tudo o que gira à volta das relações humanas é-nos transmitido de uma forma singela, quase infantil, algures entre o trágico e o cómico.
Christine (interpretada pela própria Miranda July) é uma artista em busca do reconhecimento, que conduz um táxi para idosos. Numa das suas saídas com um dos idosos conhece Richard (John Hawkes), um vendedor de sapatos, a quem fica irremediavelmente ligada. Richard recentemente saído de um casamento falhado, entra em pânico com a abordagem de Christine. Apesar de confessar ao seu colega de trabalho que está preparado para que coisas extraordinárias lhe aconteçam, a dor ainda está muito fresca. Um mês antes, ele tentava desesperadamente "salvar a sua vida" imolando a sua mão pelo fogo, simbolizando, de certa forma, o fim da sua relação. Não será por acaso que só quando retira as ligaduras é que toma finalmente a decisão de telefonar a Christine. E como ele próprio diz You think you deserve that pain, but you don't.



Poderia facilmente ficar-se por um filme que se debruçasse apenas sobre a relação amorosa entre Richard e Christine, mas as questões quotidianas vão para além disso e chegam-nos através das restantes personagens. Os filhos de Richard algo perdidos que se envolvem em aventuras, um como cobaia de duas adolescentes no seu despertar para a sexualidade, outro num romance na Internet com uma perfeita desconhecida. Aliás a cena do encontro, no parque, entre uma mulher de trinta e muitos e uma criança de sete anos é absolutamente dolorosa. A solidão é gritante. O colega de Richard que se envolve num jogo de gato e rato com as duas adolescentes, ficando muito ténue a fronteira entre o erotismo e a pedofilia. A ex-mulher de Richard que precisa de uma camisola com coisas escritas que lhe digam que é maravilhosa, fantástica, bonita, etc. A vizinha de 12 anos que vive obcecada com o enxoval numa tentativa antecipada de evitar a solidão futura.

Este filme é inspirado por um desejo que eu tenho desde criança, um desejo de futuro, de ser encontrada, de que a magia desça sobre a vida e transforme tudo. É também informado pela forma como esse desejo foi evoluindo à medida que me fui tornando adulta, um bocado mais amedrontada, mais contorcida, mas não menos fantasticamente esperançada, confessou a autora.

A simplicidade desconcertante com que revela a complexidade das relações humanas (e não só), acompanhada de uma excelente banda sonora, valeram a este Me and You and Everyone We Know a Câmara de Ouro (melhor primeira obra) de Cannes 2005 e o Prémio Especial do Júri em Sundance 2005.

O site oficial - http://www.meandyoumovie.com/

10 agosto 2006

Ausência

Obrigada mano!

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

08 agosto 2006

Na corda bamba

Nós temos cinco sentidos: são dois pares e meio de asas.
- Como quereis o equilíbrio?

David Mourão-Ferreira

07 agosto 2006

Sempre Florbela!


Esquecimento

Esse de quem eu era e que era meu,
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapareceu.

Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei... tacteio sombras... que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!

Descem em mim poentes de Novembro...
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de roxo e negro os crisantemos...

E desse que era meu já me não lembro...
Ah! a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos!...

Florbela Espanca, Reliquiae

O meu quadro preferido

Foi ainda a atirar para o adolescente que vi um filme lamechas com a Julia Roberts e Campbell Scott. Foi aqui que me deparei com Gustav Klimt e foi também aqui o ponto de partida para pesquisar e procurar conhecer um pouco mais. Aqui fica o meu quadro preferido de todos os tempos...


Der Kuß / O Beijo (1907/08)

Se eu fosse um desenho animado

Seria... o velho Calimero!




06 agosto 2006

Ironias...

Regras básicas para criar um filho delinquente ou perto disso

1. Não deixe o seu filho fazer nada. Pelo contrário, arrumem as roupas, os sapatos e tudo o que ele atirar para o chão. Assim ele cresce a pensar nos outros como seus criados, a não trabalhar e a atirar para os outros todas as suas responsabilidades.
2. Comece na infância a dar ao seu filho tudo que ele quiser, incluindo roupas, comida e bebidas. Assim, quando crescer, ele acreditará que o Mundo tem obrigação de satisfazer todos os seus caprichos. Por que ele terá que passar pelas mesmas dificuldades que você passou? Deixe-o ser feliz enquanto é jovem.
3. Quando ele disser palavrões, ache graça. Isso fará com que se considere espirituoso e se refine em linguagem ordinária.
4. Evite recriminá-lo, para que não desenvolva um complexo de culpa.
5. Discuta com frequência na presença dele. Assim nem ficará surpreendido quando o divórcio chegar, nem ficará com respeito aos pais, porque, afinal de contas, os próprios pais não se respeitavam um ao outro.
6. Em ocasiões onde ele estiver reunido com amiguinhos ou com seus irmãos use e abuse das comparações que incitem disputa. Compare o carácter, a inteligência, etc. Assim ele aprenderá a discriminar os outros em função de tudo (roupa, telemóveis, raça).
7. Defendam sempre o vosso filho. Dos seus amigos, vizinhos, professores e polícia. É tudo gente desprezível que apenas pretende embirrar com ele.
8. Nunca lhe dê qualquer orientação religiosa nem princípios morais. Espere até que ele chegue aos 18 anos e “decida por si mesmo”.

31 julho 2006

Que alguém me explique!

Quase toda a minha vida tive más experiências com vizinhos. Pronto! Não tenho sorte!
O único sítio onde os vizinhos eram como antigamente era no prédio onde morava a minha avó e onde, também eu, morei 19 anos da minha vida. Aí os vizinhos conheciam-nos desde pequeninos, perguntavam sempre como estávamos, regavam-nos as plantas quando íamos de férias, enfim, não eramos meros anónimos. Mas isso era dantes, quando as pessoas moravam no mesmo sítio desde o dia em que casavam até ao dia em que saíam já com os pés para a porta.
Hoje parecemos uns ciganos da era moderna... Não paramos no mesmo sítio, não criamos laços nem afinidades com as pessoas que moram paredes meias connosco.
Desde que saí desse prédio, agora envolto na neblina dos tempos, tenho tido sempre vizinhos antipáticos que dizem bom dia ou boa tarde quase como se estivessem a fazer um favor! No outro dia a minha vizinha da frente entrou em casa e fechou a porta sem sequer pedir licença! Não terá ela levado uns bons puxões de orelhas, em menina, por ser mal educada?
E que dizer de outro vizinho que não mora no apartamento, mas que faz visitas regulares ao mesmo, para, sempre que sai, cumprir o seguinte ritual: abre a porta, sai, fecha a porta, roda a chave num molho ruidoso de muitas outras chaves, agarra no puxador da porta, agita-a violentamente, chama o elevador, pára por uns segundos, volta atrás, agarra novamente no puxador da porta, torna a agitá-la violentamente... Sem comentários! Ele há cada pancada! E juro-vos que não há vez que ele não cumpra o ritual. Ele e eu, que vou sempre espreitá-lo na esperança de que um dia ele aja de forma diferente!

What Temperament Are You?

You Have a Phlegmatic Temperament
Mild mannered and laid back, you take life at a slow pace.You are very consistent - both in emotions and actions.You tend to absorb set backs easily. You are cool and collected.
It is difficult to offend you. You can remain composed and unemotional.You are a great friend and lover. You don't demand much of others.While you are quiet, you have a subtle wit that your friends know well.
At your worst, you are lazy and unwilling to work at anything.You often get stuck in a rut, without aspirations or dreams.You can get too dependent on others, setting yourself up for abandonment.
Calhou-me este resultado! Aqui fica para entretenimento geral e para experimentarem, se quiserem.

30 julho 2006

Que cansaço!

Estou cansada. Cansada de fazer coisas e cansada de não fazer nada. Tudo me entedia, não tenho vontade de fazer nada. Neste momento, até observar o fenómeno do desenvolvimento do cotão em minha casa me parece algo interessante. Estou possuída por uma letargia da qual é muito difícil libertar-me. A mera ideia de executar qualquer actividade, parece-me uma tarefa hercúlea. Que seca! Tomara que cheguem as férias rapidamente. Assim sempre vou sair daqui, mudar de ares, ver gente. Nem sei porque estou a escrever isto. Tem tanto interesse como a desova do carapau nas ilhas berlengas... Fui!

24 julho 2006

Intimidade

Hoje estou que não me aguento!

Intimidade

Que ninguém hoje me diga nada.
Que ninguém venha abrir a minha mágoa,
esta dor sem nome
que eu desconheço donde vem
e o que me diz.
É mágoa.
Talvez seja um começo de amor.
Talvez, de novo, a dor e a euforia de ter vindo ao mundo.

Pode ser tudo isso, ou nada disso.
Mas não afirmo.
As palavras viriam revelar-me tudo.
E eu prefiro esta angústia de não saber de quê.

Fernando Namora

A vida secreta das palavras


Fui ver "A vida secreta das palavras" realizado pela espanhola Isabel Coixet e protagonizado pelo sempre surpreendente Tim Robbins. Para a desarmante beleza desta película contribui, e muito, a canadiana Sarah Polley, que consegue com a sua presença quase indelével transmitir o poder esmagador do sofrimento e do que o ser humano é capaz de fazer para tentar fugir à dor.

Quando Hanna (Sarah Polley) é forçada a tirar férias da fábrica onde trabalha há anos sem nunca ter faltado um único dia que fosse, ela tenta, mais uma vez, driblar as memórias de um passado que a persegue. Para tal oferece-se para tratar de Josef (Tim Robbins), um trabalhador de uma plataforma petrolífera, vítima de um acidente que o deixa com graves queimaduras e temporariamente cego. Nesse lugar, perdidos na solidão e isolados pelo mar, inicia-se uma intimidade profunda, uma troca de segredos, um arrancar de confissões que os vai manter unidos pelas histórias que partilham. A vida secreta das palavras altera-lhes o rumo. Têm um passado que querem esquecer e um futuro que desejam. Ficam marcados para sempre.

É um filme, diz a realizadora, sobre o silêncio repentino que antecede uma tempestade, e acima de tudo, sobre o poder do amor, mesmo nas mais terríveis circunstâncias.

"A vida secreta das palavras" ganhou os prémios Goya, os mais importantes do cinema espanhol, nas categorias de melhor filme, melhor realização e melhor argumento.

Recomendo vivamente! É absolutamente arrebatador!

Ufa...

Isto de ter um blog tem que se lhe diga. Começo a sentir-me mal por não alimentar o meu e, em vez disso, andar a alimentar-me dos blogs alheios. Não que isso seja necessariamente mau (muito pelo contrário!), mas podia de vez em quando passar por aqui e deixar cá uns pensamentos. Se calhar ando um pouco anestesiada e enfrentar os meus próprios pensamentos, aquilo que me vai por dentro, é capaz de me magoar. Uma gaja tem de se defender, não é? Se bem que, ao que parece, só se resolvem os problemas quando os enfrentamos, os reconhecemos, percebemos o que esteve na sua origem e, finalmente damos o passo em frente. De preferência não em direcção ao abismo!

01 julho 2006

O orgulho de ser Português

Os jogos de futebol enervam-me. No entanto, hoje que Portugal passou às meias finais do Mundial depois de ter derrotado a Inglaterra, não consigo deixar de me regozijar juntamente com toda esta mole humana que percorre as ruas a buzinar, a agitar bandeiras e cachecóis.

De facto, Portugal precisa disto. Precisa de se esquecer que é maltratado todos os dias, que vê o seu poder de compra piorar a cada momento, que se endivida sempre mais…

Mas, como diz a outra, “isso agora não interessa nada”.

A verdade é que estes triunfos futebolísticos nos unem a todos como nada mais o consegue fazer.

Dei comigo no Continente completamente contagiada pela euforia da vitória, enquanto todos os funcionários das linhas de caixas saltavam ao mesmo tempo, tomados por uma onda gigante de alegria.

Por momentos, éramos todos da mesma grande família, o nosso coração batia em uníssono e partilhávamos o mesmo orgulho de ser Português.

E este fenómeno não se explica, nem se lhe consegue ficar indiferente...

24 junho 2006

As palavras

Sempre tive muita inveja de quem sabe colocar por escrito (e bem!) aquilo que lhe vai por dentro, de quem sabe moldar as palavras de modo a que transmitam estados de alma, pensamentos, emoções...
As palavras são poderosas, implacáveis, capazes de nos tranquilizar ou de nos enfurecer, de nos levar ao céu ou de nos arrasar.
Como dizia o nosso saudoso Eugénio de Andrade:

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta?
Quem as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Tenho pena daqueles a quem as palavras não causam impacto, que se tornaram insensíveis, para quem a imagem é tudo e que já esqueceram o cheiro de um livro novo, do folhear as páginas ainda por explorar.
As palavras...

21 junho 2006

No princípio era o verbo...

Inicio hoje as primeiras ondas neste universo virtual. Espero partilhar com a blogosfera os meus pensamentos, anseios, medos, frustrações, alegrias, enfim...