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07 janeiro 2010
24 novembro 2009
Devaneio...

Enebriada é como me sinto. É assim que me fazes sentir.
Assim como me fazes querer ser uma pessoa melhor. Embora geres sentimentos contraditórios em mim.
Há vezes em que desejo que te vás f***r (mas mal) outras apetece-me f*****-te até não poder mais. E é nesta dicotomia que vivo, fruto quiçá das convenções sociais às quais inevitavelmente estamos presos.
O desejo que me despertas é novo para mim e se calhar por isso assustador. Ainda assim acho que não o ignoraria. Julgo que é bom. Bem feitas as contas, posso, assim, dizer que este ano foste a melhor coisa que me aconteceu, apesar da ansiedade, apesar da angústia, apesar, apesar...
É bem possível que o que quer que exista entre nós seja uma coisa boa, que permanentemente aguce o desejo e nos transporte para um universo de sentidos, de odores, de sensações, de pele, de secreções, de uma intimidade não experimentada, de um mais além inexplorado e... a um nível fora daqui!
Será isto aquilo a que chamam paixão, o estado de perda de sentidos, a passagem para um nível de total despojamento?
18 outubro 2009
Amar
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade
01 setembro 2009
Disse-o!

Finalmente disse-o!
Finalmente, saiu das minhas entranhas tudo quanto tinha acumulado ao longo de 29 anos!
Mas as palavras saíram calmas, tranquilas, sem raiva, (semi)resolvidas para que tu entendesses bem o que te queria dizer.
Sim, tu, mãe, abandonaste-me! Esqueceste o teu papel primordial de protecção da tua cria e entregaste-me sem olhar para trás.
E esse abandono deixou-me marcas indizíveis que condicionaram o meu crescimento enquanto ser humano e o meu relacionamento com os outros.
Quis que entendesses que o que fizeste foi mau, foi errado, foi totalmente desprovido de instinto maternal!
Quis que soubesses que não tens direito a ter ciúmes da pessoa a quem me entregaste e que cuidou de mim como sua cria fosse, que se assegurou que nada me faltasse.
Quis que percebesses que não podes querer agora reclamar para ti um lugar que tu própria abdicaste há 29 anos.
Quis que soubesses que embora não conseguindo perceber o que te moveu, te perdoei e segui em frente.
Quis sobretudo que reflectisses sobre o que me fizeste, sobre o que nos fizeste...
09 agosto 2009
Estou aqui

"Eu quero a minha menina". A tua menina está aqui, a segurar-te a mão, a afagar-te o rosto onde baila o teu olhar agitado, aprisionado no teu corpo mirrado e tolhido pelo tempo que já te pesa.
As palavras repetidas incessantemente, como uma ladaínha, que te impedem de me ver, de ouvir as palavras que te sussurro para te tranquilizar. "Está tudo bem. A tua menina está aqui ao pé de ti".
Mas sempre o teu olhar vago que me atravessa como se pairasse num outro mundo onde não consigo chegar.
Sinto, mais que nunca, que estás a deixar esta vida. E eu... a sentir-me tão só ao imaginá-la sem a tua existência!
21 junho 2009
Do silêncio e do tempo

O silêncio como espaço de reflexão, de recolhimento, de introspecção e sobretudo de esquecimento. A solidão que o acompanha, pesada, vivida e sofrida entre quatro paredes, de janelas fechadas ao mundo, sem querer saber se é dia ou noite, esperando o tempo passar num misto de letargia e torpor conscientes, mas incontornáveis.
O tempo tudo cura. Não será inteiramente verdade, mas que é paliativo, não há dúvida.
Racionalmente, temos consciência de que se consegue ultrapassar tudo nesta vida, mesmo quando nos sentimos completamente destroçados, mesmo quando pensamos que as feridas não vão cicatrizar mais e que ficarão para sempre abertas.
Sinto-as muitas vezes, feridas que carrego em carne viva, dissimuladas por baixo da pele, e que basta um pequeno toque, mesmo ao de leve, para que se desperte a dor adormecida, a dor que se quer esquecer e calar...
07 junho 2009
Consciência reprimida

Joana caminha sem destino pelas ruas com o seu coração pequenino nas mãos. Um coração pequenino mas transbordante de amor que pulsa forte. Tão forte que cresce sempre que alguém o invade. Por vezes chega a atingir um tamanho quase gigantesco porque só assim Joana sabe amar. E mesmo gigante parece minúsculo e insignificante aos olhos dos outros e só Joana sabe o peso que carrega que vai para além de si, que a ultrapassa e dela toma conta. O peso do amor inconfessado apenas em pequenos, muito pequenos, gestos timidamente desvendado. E a dor do seu coração vendo-se assim diminuído porque reprimido vezes sem conta, continua a latejar enquanto Joana segue sem rumo pelas ruas cheias de caras anónimas que a tomam por invisível e ignoram o seu enorme coração vermelho.
01 junho 2009
O gostinho agridoce...
A propósito disto, folgo em dizer que por vezes se faz justiça. Porque quando se tem plena consciência de que se vestiu a camisola, por mais esburacada que ela seja, de que se deu o litro, mesmo quando pareceram toneladas em torrente, dói o não reconhecimento, dói mesmo muito. Todavia, quando há o discernimento de voltar atrás e dar a mão à palmatória, sem benevolência, mas por mérito (sem qualquer ponta de humildade!), sabe bem!
Infelizmente toda a situação envolvente, bem como outros pequenos senãos funcionaram como um balde de água fria sobre a motivação que já de si esmorecia. Por isso a minha postura mudou porque é difícil lutar contra os moinhos da "competência" que esconde a pequenez oca e tacanha ganha através de estratagemas e conluios.
Enquanto não puder deixar de ser mais uma peça na engrenagem, recuso-me terminantemente a compactuar com o establishment.
Infelizmente toda a situação envolvente, bem como outros pequenos senãos funcionaram como um balde de água fria sobre a motivação que já de si esmorecia. Por isso a minha postura mudou porque é difícil lutar contra os moinhos da "competência" que esconde a pequenez oca e tacanha ganha através de estratagemas e conluios.
Enquanto não puder deixar de ser mais uma peça na engrenagem, recuso-me terminantemente a compactuar com o establishment.
07 maio 2009
Injustiça
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