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18 janeiro 2010

Prostração


A angústia, a impotência de tentar cumprir o impossível, sentir o peso do mundo inteiro nas costas.


Por mais que faça, por mais que me esforce, sinto que é uma missão impossível.


Por mais que me custe, tenho de admitir que não sou capaz, que vai para além daquilo que consigo, que aguento, que suporto.


E de repente parece que nada resulta, que tudo é uma tarefa inglória, sem retorno, sem gratificação.


Ainda agora começou o novo ano e eu sinto-me completamente prostrada...

07 dezembro 2009

Pois que gosto...

Gosto do som da expressão algo pomposa "alteração do posicionamento remuneratório". Fruto disto, serve como uma lição de que devemos sempre lutar por aquilo em que acreditamos, mesmo quando achamos que não vale a pena. Apesar de não ser um grande acontecimento, para mim teve um sabor a vitória e a recompensa.

18 outubro 2009

Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond de Andrade

01 setembro 2009

Disse-o!

Carlos Kubo, Amor Materno



Finalmente disse-o!

Finalmente, saiu das minhas entranhas tudo quanto tinha acumulado ao longo de 29 anos!

Mas as palavras saíram calmas, tranquilas, sem raiva, (semi)resolvidas para que tu entendesses bem o que te queria dizer.

Sim, tu, mãe, abandonaste-me! Esqueceste o teu papel primordial de protecção da tua cria e entregaste-me sem olhar para trás.

E esse abandono deixou-me marcas indizíveis que condicionaram o meu crescimento enquanto ser humano e o meu relacionamento com os outros.

Quis que entendesses que o que fizeste foi mau, foi errado, foi totalmente desprovido de instinto maternal!

Quis que soubesses que não tens direito a ter ciúmes da pessoa a quem me entregaste e que cuidou de mim como sua cria fosse, que se assegurou que nada me faltasse.

Quis que percebesses que não podes querer agora reclamar para ti um lugar que tu própria abdicaste há 29 anos.

Quis que soubesses que embora não conseguindo perceber o que te moveu, te perdoei e segui em frente.



Quis sobretudo que reflectisses sobre o que me fizeste, sobre o que nos fizeste...



09 agosto 2009

Estou aqui




"Eu quero a minha menina". A tua menina está aqui, a segurar-te a mão, a afagar-te o rosto onde baila o teu olhar agitado, aprisionado no teu corpo mirrado e tolhido pelo tempo que já te pesa.


As palavras repetidas incessantemente, como uma ladaínha, que te impedem de me ver, de ouvir as palavras que te sussurro para te tranquilizar. "Está tudo bem. A tua menina está aqui ao pé de ti".


Mas sempre o teu olhar vago que me atravessa como se pairasse num outro mundo onde não consigo chegar.


Sinto, mais que nunca, que estás a deixar esta vida. E eu... a sentir-me tão só ao imaginá-la sem a tua existência!

12 julho 2009

Eu tento...


Macy Gray, I Try

Games, changes and fears
When will they go from here
When will they stop
I believe that fate has brought us here
And we should be together, babe
But we're not

I play it off, but I'm dreaming of you
I'll keep my cool, but I'm feigning

I try to say goodbye and I choke
Try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear
My world crumbles when you are not near

Goodbye and I choke
I try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear
My world crumbles when you are not near

I may appear to be free
But I'm just a prisoner of your love
And I may seem all right and smile when you leave
But my smiles are just a front
Just a front
I play it off, but I'm dreaming of you
I'll keep my cool, but I'm feigning

I try to say goodbye and I choke
Try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear
My world crumbles when you are not near
Goodbye and I choke
I try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear
My world crumbles when you are not near

Here is my confession
May I be your possession?
Boy, I need your touch
Your love kisses and such
With all my might I try
But this I can't deny
Deny

I play it off, but I'm dreaming of you
(but I'm dreaming of you babe)
I'll keep my cool, but I'm feigning

I try to say goodbye and I choke
Try to walk away and I stumble
Though I try to hide, it's clear
My world crumbles when you are not near
(when you are not near)
Goodbye and I choke
I try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear (sick of love)
My world crumbles when you are not near (your love, kisses and)
Goodbye and I choke (I'm choking)
I try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear
My world crumbles when you are not near
(when you are not there)

21 junho 2009

Do silêncio e do tempo

Imagem retirada daqui.


O silêncio como espaço de reflexão, de recolhimento, de introspecção e sobretudo de esquecimento. A solidão que o acompanha, pesada, vivida e sofrida entre quatro paredes, de janelas fechadas ao mundo, sem querer saber se é dia ou noite, esperando o tempo passar num misto de letargia e torpor conscientes, mas incontornáveis.

O tempo tudo cura. Não será inteiramente verdade, mas que é paliativo, não há dúvida.

Racionalmente, temos consciência de que se consegue ultrapassar tudo nesta vida, mesmo quando nos sentimos completamente destroçados, mesmo quando pensamos que as feridas não vão cicatrizar mais e que ficarão para sempre abertas.

Sinto-as muitas vezes, feridas que carrego em carne viva, dissimuladas por baixo da pele, e que basta um pequeno toque, mesmo ao de leve, para que se desperte a dor adormecida, a dor que se quer esquecer e calar...

07 junho 2009

Consciência reprimida



Joana caminha sem destino pelas ruas com o seu coração pequenino nas mãos. Um coração pequenino mas transbordante de amor que pulsa forte. Tão forte que cresce sempre que alguém o invade. Por vezes chega a atingir um tamanho quase gigantesco porque só assim Joana sabe amar. E mesmo gigante parece minúsculo e insignificante aos olhos dos outros e só Joana sabe o peso que carrega que vai para além de si, que a ultrapassa e dela toma conta. O peso do amor inconfessado apenas em pequenos, muito pequenos, gestos timidamente desvendado. E a dor do seu coração vendo-se assim diminuído porque reprimido vezes sem conta, continua a latejar enquanto Joana segue sem rumo pelas ruas cheias de caras anónimas que a tomam por invisível e ignoram o seu enorme coração vermelho.

01 junho 2009

O gostinho agridoce...

A propósito disto, folgo em dizer que por vezes se faz justiça. Porque quando se tem plena consciência de que se vestiu a camisola, por mais esburacada que ela seja, de que se deu o litro, mesmo quando pareceram toneladas em torrente, dói o não reconhecimento, dói mesmo muito. Todavia, quando há o discernimento de voltar atrás e dar a mão à palmatória, sem benevolência, mas por mérito (sem qualquer ponta de humildade!), sabe bem!

Infelizmente toda a situação envolvente, bem como outros pequenos senãos funcionaram como um balde de água fria sobre a motivação que já de si esmorecia. Por isso a minha postura mudou porque é difícil lutar contra os moinhos da "competência" que esconde a pequenez oca e tacanha ganha através de estratagemas e conluios.

Enquanto não puder deixar de ser mais uma peça na engrenagem, recuso-me terminantemente a compactuar com o establishment.

14 maio 2009

Momentos


Há momentos que são verdadeiras lufadas de ar fresco, momentos que são como abraços mornos em noites de invernia. E quando esses momentos são partilhados com alguém genuíno que não tem receio de se mostrar, de dizer sou assim, tenho estas mazelas que a vida me trouxe, tenho medo e vontade de chorar, mas também me rio contigo, é bom, muito bom!


04 maio 2009

Dúvidas existenciais (IV)













Fotografia de Monica Antonelli retirada daqui


Insegurança
Ansiedade
Angústia
Vazio
Dúvida
Ânsia
Sofreguidão
Desejo
Carne
Coração
Entranhas
Alma
Tumulto
Sensações
Turbilhão
Emoções
Tu
Eu

19 abril 2009

Dúvidas existenciais (III)

O Abraço (pormenor), Gustav Klimt (1905-1909)



Mal te conheço e já te tomo as dores.
Vejo-te triste e o meu coração encolhe-se com o sofrimento que te sinto.
Quero acolher-te. Apertar-te contra o meu peito e estreitar-te nos meus braços.
Ao mesmo tempo receio assustar-te com o carinho enorme que me despertas.
Acordaste em mim sentimentos bons e genuínos.
Quero-te tanto bem!
Mal te conheço e já acho que és grande e lindo e pequenino e assustado.
Quero fazer-te tanta falta quanto me fazes a mim.
O depois logo se vê…

15 abril 2009

Dúvidas existenciais (II)

Muchacha en la ventana, Salvador Dali (1925)


Chamar os nomes às coisas
Torná-las reais, palpáveis, verdadeiras (?)
Enfrentar os medos e as dores

Chamar os nomes às coisas
Conhecer-lhes a cor dos olhos
Sentir-lhes o cheiro e o calor da pele

Chamar os nomes às coisas
Sair de si mesmo e avaliar
Fria e racionalmente

Chamar os nomes às coisas
Encher o peito de coragem
E ir onde nunca nos atrevemos a ir antes!

11 abril 2009

Tempestade


És rio onde me banho em frescas correntes.
És regato irrequieto que me contorna e circunda.
És lago plácido que me traz a tranquilidade e o abandono dos sentidos.
És também mar calmo que adivinha a tempestade.
Essa tempestade que rebenta dentro de mim sem eu querer, sem que eu consiga fugir.
Tempestade que me seduz e me paralisa.
E quando me envolves, somos braços e pernas e boca e saliva e língua e suor e risos tontos e mundos longe daqui.
E a tempestade, essa, ressoa lá longe, sempre à espreita...

04 abril 2009

Dúvidas existenciais (I)



Não sei o que é isto. Está fora do meu controlo.
Apenas me deixo ir, me mantenho disponível, tento saborear cada momento.
Não sei o que é isto. Está fora do meu controlo.
Estou exposta, como que nua no meio da estrada com carros a passar e eu sem conseguir esconder-me. É bom e é mau, all in one.
Não sei o que é isto. Está fora do meu controlo.
Só sei que é mais forte do que eu, que é arrebatador, é pele e é cheiro, é poros abertos e mãos perdidas e é toques alucinantes e estranhamente familiares, como se os corpos se conhecessem já.
Não sei o que é isto. Está fora do meu controlo.
O medo da dor que parece espreitar e que eu finjo desconhecer a sua presença. A soberania da vontade (coragem?) de enfrentar o medo, de lhe fintar as jogadas para que a vida faça sentido.
Não sei o que é isto. Está fora do meu controlo.

29 março 2009

Doce cumplicidade

Friso de Beethoven (pormenor), Gustav Klimt (1902)


O terno enroscar de dois corpos. Assim acabam por se encontrar. Invariavelmente.
A inevitabilidade do toque…
da carícia…
do entrelaçar de pés e pernas…
o encontro dos lábios mornos, sôfregos…
os olhares acesos em jeito de convite…
a pele na pele…
o tactear curioso das mãos nos recantos quentes e húmidos…
a descoberta hesitante, tímida...
Primeiro soltaram-se os bichos inquietos, depois foi a calma racional, gentil que uniu dois espíritos sedentos de intimidade.
“Dança comigo”, pediu ele e ela dançou. Dançou até lhe doerem todos os músculos do seu corpo.
E ao som da música dos sentidos o par, cego, foi tacteando cada curva, cada pedaço e assim descobrindo cheiros, sabores, olhares cruzados até ao abandono.
A dança prosseguiu ritmada, cúmplice. Eram apenas um homem e uma mulher, entregues um ao outro, a salvo do medo e imunes à malvadez do mundo.

23 março 2009

Ansiedade



Joana ama e sempre que ama, ama intensamente, sem nexo, até cegar, até que as entranhas se lhe enrodilhem de tanta ansiedade.

Joana quer muito e quer agora, já, porque a espera é demasiado insuportável, porque o coração cresce para lá do tamanho do peito, porque tem uma ânsia de ser acarinhado que vai para além do absurdo.

Joana recebeu ternura, um gesto simples que coroou o que já antecipara, e isso bastou para que o turbilhão tomasse forma e seguisse imparável.

Joana foi cativada e agora aquela "rosa" é já para si única no mundo e o seu perfume incomparável.

Joana quer tanto, que a vontade sai de si como raios de sol, umas vezes, como tempestade, outras.

Joana quer e deseja e suspira dolorosamente pelo perfume da "rosa" que a cativou sem querer, que a cativou apenas por ser!