17 dezembro 2009

Sopa de letras



Hoje acordei com uma vontade de comer sopa de letras... Só com ós!

07 dezembro 2009

Pois que gosto...

Gosto do som da expressão algo pomposa "alteração do posicionamento remuneratório". Fruto disto, serve como uma lição de que devemos sempre lutar por aquilo em que acreditamos, mesmo quando achamos que não vale a pena. Apesar de não ser um grande acontecimento, para mim teve um sabor a vitória e a recompensa.

24 novembro 2009

Devaneio...




Enebriada é como me sinto. É assim que me fazes sentir.

Assim como me fazes querer ser uma pessoa melhor. Embora geres sentimentos contraditórios em mim.

Há vezes em que desejo que te vás f***r (mas mal) outras apetece-me f*****-te até não poder mais. E é nesta dicotomia que vivo, fruto quiçá das convenções sociais às quais inevitavelmente estamos presos.

O desejo que me despertas é novo para mim e se calhar por isso assustador. Ainda assim acho que não o ignoraria. Julgo que é bom. Bem feitas as contas, posso, assim, dizer que este ano foste a melhor coisa que me aconteceu, apesar da ansiedade, apesar da angústia, apesar, apesar...

É bem possível que o que quer que exista entre nós seja uma coisa boa, que permanentemente aguce o desejo e nos transporte para um universo de sentidos, de odores, de sensações, de pele, de secreções, de uma intimidade não experimentada, de um mais além inexplorado e... a um nível fora daqui!

Será isto aquilo a que chamam paixão, o estado de perda de sentidos, a passagem para um nível de total despojamento?

18 outubro 2009

Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond de Andrade

01 setembro 2009

Disse-o!

Carlos Kubo, Amor Materno



Finalmente disse-o!

Finalmente, saiu das minhas entranhas tudo quanto tinha acumulado ao longo de 29 anos!

Mas as palavras saíram calmas, tranquilas, sem raiva, (semi)resolvidas para que tu entendesses bem o que te queria dizer.

Sim, tu, mãe, abandonaste-me! Esqueceste o teu papel primordial de protecção da tua cria e entregaste-me sem olhar para trás.

E esse abandono deixou-me marcas indizíveis que condicionaram o meu crescimento enquanto ser humano e o meu relacionamento com os outros.

Quis que entendesses que o que fizeste foi mau, foi errado, foi totalmente desprovido de instinto maternal!

Quis que soubesses que não tens direito a ter ciúmes da pessoa a quem me entregaste e que cuidou de mim como sua cria fosse, que se assegurou que nada me faltasse.

Quis que percebesses que não podes querer agora reclamar para ti um lugar que tu própria abdicaste há 29 anos.

Quis que soubesses que embora não conseguindo perceber o que te moveu, te perdoei e segui em frente.



Quis sobretudo que reflectisses sobre o que me fizeste, sobre o que nos fizeste...



09 agosto 2009

Estou aqui




"Eu quero a minha menina". A tua menina está aqui, a segurar-te a mão, a afagar-te o rosto onde baila o teu olhar agitado, aprisionado no teu corpo mirrado e tolhido pelo tempo que já te pesa.


As palavras repetidas incessantemente, como uma ladaínha, que te impedem de me ver, de ouvir as palavras que te sussurro para te tranquilizar. "Está tudo bem. A tua menina está aqui ao pé de ti".


Mas sempre o teu olhar vago que me atravessa como se pairasse num outro mundo onde não consigo chegar.


Sinto, mais que nunca, que estás a deixar esta vida. E eu... a sentir-me tão só ao imaginá-la sem a tua existência!

12 julho 2009

Eu tento...


Macy Gray, I Try

Games, changes and fears
When will they go from here
When will they stop
I believe that fate has brought us here
And we should be together, babe
But we're not

I play it off, but I'm dreaming of you
I'll keep my cool, but I'm feigning

I try to say goodbye and I choke
Try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear
My world crumbles when you are not near

Goodbye and I choke
I try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear
My world crumbles when you are not near

I may appear to be free
But I'm just a prisoner of your love
And I may seem all right and smile when you leave
But my smiles are just a front
Just a front
I play it off, but I'm dreaming of you
I'll keep my cool, but I'm feigning

I try to say goodbye and I choke
Try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear
My world crumbles when you are not near
Goodbye and I choke
I try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear
My world crumbles when you are not near

Here is my confession
May I be your possession?
Boy, I need your touch
Your love kisses and such
With all my might I try
But this I can't deny
Deny

I play it off, but I'm dreaming of you
(but I'm dreaming of you babe)
I'll keep my cool, but I'm feigning

I try to say goodbye and I choke
Try to walk away and I stumble
Though I try to hide, it's clear
My world crumbles when you are not near
(when you are not near)
Goodbye and I choke
I try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear (sick of love)
My world crumbles when you are not near (your love, kisses and)
Goodbye and I choke (I'm choking)
I try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear
My world crumbles when you are not near
(when you are not there)

10 julho 2009

Dias azuis

Promenade des Anglais, Nice, França, Junho de 2009


Pois é, estive aqui na soalheira Nice à beira do morno Mediterrâneo. Dias lânguidos longe de tudo e de todos a aproveitar o sol, as esplanadas e o dolce fare niente.

O mar é lindo, de um azul impressionante. As praias, bom... Pode-se dizer que a nossa Costa da Caparica põe Nice num chinelo. Em vez de areia há pedras. E se a malta não for precavida (como foi o caso!), é o cabo dos trabalhos chegar à água, tentar entrar e sair sem mossa!


Casino do Mónaco, Mónaco, Junho 2009


E ainda deu para uma perninha ao Mónaco. Muito para além da curva! Só posso dizer que é a Caras, mas ao vivo e em grande estilo. Pois...

30 junho 2009

Para ti L

Foto retirada daqui


apesar do que se perdeu e não volta...

apesar do que podia ter sido e que nunca saberemos como seria...

apesar do impossível retorno ao que se foi...

apesar do bem que repousa nos labirintos da memória...

apesar do mal que ainda permanece em chaga latejante...

apesar...

quero-te muito bem

e desejo que este dia se repita muitas vezes na vida que escolheste para ti



29 junho 2009

"Um perpétuo movimento"

Porque ficará sempre ligada àqueles dias carregados de um azul que nos inundou os olhos.

21 junho 2009

Do silêncio e do tempo

Imagem retirada daqui.


O silêncio como espaço de reflexão, de recolhimento, de introspecção e sobretudo de esquecimento. A solidão que o acompanha, pesada, vivida e sofrida entre quatro paredes, de janelas fechadas ao mundo, sem querer saber se é dia ou noite, esperando o tempo passar num misto de letargia e torpor conscientes, mas incontornáveis.

O tempo tudo cura. Não será inteiramente verdade, mas que é paliativo, não há dúvida.

Racionalmente, temos consciência de que se consegue ultrapassar tudo nesta vida, mesmo quando nos sentimos completamente destroçados, mesmo quando pensamos que as feridas não vão cicatrizar mais e que ficarão para sempre abertas.

Sinto-as muitas vezes, feridas que carrego em carne viva, dissimuladas por baixo da pele, e que basta um pequeno toque, mesmo ao de leve, para que se desperte a dor adormecida, a dor que se quer esquecer e calar...

07 junho 2009

Consciência reprimida



Joana caminha sem destino pelas ruas com o seu coração pequenino nas mãos. Um coração pequenino mas transbordante de amor que pulsa forte. Tão forte que cresce sempre que alguém o invade. Por vezes chega a atingir um tamanho quase gigantesco porque só assim Joana sabe amar. E mesmo gigante parece minúsculo e insignificante aos olhos dos outros e só Joana sabe o peso que carrega que vai para além de si, que a ultrapassa e dela toma conta. O peso do amor inconfessado apenas em pequenos, muito pequenos, gestos timidamente desvendado. E a dor do seu coração vendo-se assim diminuído porque reprimido vezes sem conta, continua a latejar enquanto Joana segue sem rumo pelas ruas cheias de caras anónimas que a tomam por invisível e ignoram o seu enorme coração vermelho.

01 junho 2009

O gostinho agridoce...

A propósito disto, folgo em dizer que por vezes se faz justiça. Porque quando se tem plena consciência de que se vestiu a camisola, por mais esburacada que ela seja, de que se deu o litro, mesmo quando pareceram toneladas em torrente, dói o não reconhecimento, dói mesmo muito. Todavia, quando há o discernimento de voltar atrás e dar a mão à palmatória, sem benevolência, mas por mérito (sem qualquer ponta de humildade!), sabe bem!

Infelizmente toda a situação envolvente, bem como outros pequenos senãos funcionaram como um balde de água fria sobre a motivação que já de si esmorecia. Por isso a minha postura mudou porque é difícil lutar contra os moinhos da "competência" que esconde a pequenez oca e tacanha ganha através de estratagemas e conluios.

Enquanto não puder deixar de ser mais uma peça na engrenagem, recuso-me terminantemente a compactuar com o establishment.

14 maio 2009

Momentos


Há momentos que são verdadeiras lufadas de ar fresco, momentos que são como abraços mornos em noites de invernia. E quando esses momentos são partilhados com alguém genuíno que não tem receio de se mostrar, de dizer sou assim, tenho estas mazelas que a vida me trouxe, tenho medo e vontade de chorar, mas também me rio contigo, é bom, muito bom!


07 maio 2009

Injustiça


Injustiça é também não reconhecer o trabalho, o esforço e o empenho em prol do moribundo serviço público e contribuir deste modo para desmotivar ainda mais (será possível!?) uma classe tão mal tratada.

04 maio 2009

Pasión

Porque hoje me deu para isto...


Pásion, Rodrigo Leão & Luna Peña


No me olvides
yo me muero
Amor
mi vida es sufrimiento
Yo
te quiero en mi camino
Por vos
cambiaba mi destino

Ay,
abrázame esta noche
aunque no tengas ganas
prefiero que me mientas
tristes breves nuestras vidas
acércate a mí
abrázame a ti por Dios
entrégate a mis brazos.

Tengo
un corazón penando
Yo sé
que vos lo está escuchando
Com
mil lágrimas te quiero
Pasión
sos mi amor sincero

Ay,
abrázame esta noche
aunque no tengas ganas
prefiero que me mientas
tristes breves nuestras vidas
acércate a mí
abrázame a ti por Dios
entrégate a mis brazos

Dúvidas existenciais (IV)













Fotografia de Monica Antonelli retirada daqui


Insegurança
Ansiedade
Angústia
Vazio
Dúvida
Ânsia
Sofreguidão
Desejo
Carne
Coração
Entranhas
Alma
Tumulto
Sensações
Turbilhão
Emoções
Tu
Eu

19 abril 2009

Dúvidas existenciais (III)

O Abraço (pormenor), Gustav Klimt (1905-1909)



Mal te conheço e já te tomo as dores.
Vejo-te triste e o meu coração encolhe-se com o sofrimento que te sinto.
Quero acolher-te. Apertar-te contra o meu peito e estreitar-te nos meus braços.
Ao mesmo tempo receio assustar-te com o carinho enorme que me despertas.
Acordaste em mim sentimentos bons e genuínos.
Quero-te tanto bem!
Mal te conheço e já acho que és grande e lindo e pequenino e assustado.
Quero fazer-te tanta falta quanto me fazes a mim.
O depois logo se vê…

15 abril 2009

Mergulhar em ti

Le Monde, Thievery Corporation

Dúvidas existenciais (II)

Muchacha en la ventana, Salvador Dali (1925)


Chamar os nomes às coisas
Torná-las reais, palpáveis, verdadeiras (?)
Enfrentar os medos e as dores

Chamar os nomes às coisas
Conhecer-lhes a cor dos olhos
Sentir-lhes o cheiro e o calor da pele

Chamar os nomes às coisas
Sair de si mesmo e avaliar
Fria e racionalmente

Chamar os nomes às coisas
Encher o peito de coragem
E ir onde nunca nos atrevemos a ir antes!